Embora o presente volume também possa ter significado autônomo e ser lido como tal, vem aqui apresentado como comentário sobre A Grande Síntese. Este não é livro que se possa retocar, corrigir, cujo texto se possa ampliar, enxertando-lhe digressões, conceitos novos. Nasceu de um jato, em dado momento histórico, com determinada função social e espiritual, através de particular estado psicológico de intuição. Condicionado por esses elementos especiais e irreproduzíveis, conservou-se inalterável, como se vazado em bronze, inviolável e firme, qual rochedo que desafia as tempestades dos séculos. A primeira, por ele prevista e esperada, desencadeou-se de súbito, quase como resposta da História ao grito de alerta lançado ao mundo e para confirmar a previsão de seu renovar-se. Só hoje, nos fins da Segunda Guerra Mundial, se pode começar a entender a verdadeira significação de A Grande Síntese: ser o livro da nova ordem do mundo, isto é, o código da nova civilização do III milênio. Livro assim, de essência inspirada e racional apenas quanto à forma, não pode, portanto, ser refeito ou modificado, pois é de substância completa, arquitetura equilibrada e estrutura definitiva. Isto posto, impossível voltar de novo a ele, que é pura intuição e síntese, senão com outra psicologia e doutro ponto de vista, preponderantemente analítico e racional, embora muitas vezes a inspiração volte a guiar e iluminar o texto assim analisado, desenvolvido, completado, aprofundado naqueles pontos em que nessa obra não era possível, e ao mesmo tempo lógico, demorar-se. (Foi dito no cap. 86 de A Grande Síntese: “A natureza deste livro sintético não me permite descer a particularidades”.)

O momento histórico está adequado a este comentário. Quem escreve deve saber que alguns conceitos só em determinados momentos podem ser compreendidos pela psicologia coletiva; é inútil enunciá-los antes do tempo porque, pelo menos, os leitores contemporâneos não podem entendê-los. Pois já chegou grande parte da destruição prevista; a dor atingiu os ânimos; a pobreza, consequência da guerra, privando-nos de tantas coisas humanas, convida nos e leva-nos a compreender a riqueza das coisas do espírito; a ruína do mundo de nossos tesouros terrestres tornou-as mais necessárias; a tempestade conduz-nos à razão, através do exame dos pontos fracos do sistema e do reconhecimento dos erros cometidos. Aí está! A Grande Síntese, o livro da construção preparado antes da destruição, quando ninguém o acreditava possível, já está pronto. Este é o momento de relê-lo, meditá-lo, para melhor entendimento. Esse livro é legado ao atual momento histórico e foi escrito para nele funcionar como viva força criadora. Evangelho de renovação espiritual, livro da juventude chantado na soleira do futuro milênio, para além da qual já desponta o dia das novas construções, essa obra é legada à vida e à sua ressurreição. Universal e imparcial é a sua filosofia, divina filosofia que, como expressão do pensamento divino, a vida e os fenômenos nos expõem; simples e lógica filosofia dos fatos, que nos espera para dar nova direção à atividade humana, mais de acordo com o moderno progresso, isto é, capaz de dar sentido às conquistas mecânicas e científicas realizadas. Já de tal modo são estas notáveis que, para conservarem a importância, é-lhes necessário conquistar esta nova sabedoria. Este volume é o terceiro da segunda trilogia do autor. A primeira compõe-se de: 1) Grandes Mensagens e A Grande Síntese,  2) As Noúres,  3) Ascese Mística. A segunda de: 1)  História de Um Homem,  2) Fragmentos de Pensamento e de Paixão,  3) A Nova Civilização do Terceiro Milênio, com o que completa seu terceiro termo. O texto deste escrito (cap. 18) explicará melhor o sentido das duas trilogias, cronológica e conceptualmente divididas pelo maior acontecimento de todos os tempos, a guerra mundial de nossos dias: a primeira trilogia, de espera e preparação; a segunda, de atividade e reconstrução. Por esta diferente posição do pensamento é que A Grande Síntese se distingue deste volume. Enquanto em História de Um Homem na luta pela vida terrena se dramatiza essa verdade e nos Fragmentos de Pensamento e de Paixão se exemplifica essa luta, o ciclo da atuação avança ainda mais, neste livro, chegando a sua fase de concretização. Aqui se trata, pois, de iluminar, de clarear A Grande Síntese, de demonstrá-la melhor, especialmente descendo a pormenores, isto é, à parte humana, individual, social e moral que nos está mais próxima, com preferência à parte científica e cósmica, mais afastada e já amplamente desenvolvida. De fato, o objetivo principal deste trabalho é não só expor e convencer, mas, acima de tudo, levá-lo a aplicação prática.

Deste modo se fecha este segundo ciclo da obra, a que seguirá outro, isto é, a terceira trilogia, que começa com o volume já elaborado: Problemas do Futuro, seguido por outros ainda em preparo. Tudo isso formará uma só obra, um único edifício orgânico que, através da solução dos problemas do ser, propõe-se a contribuir para que se construa a nova civilização do III milênio, preparando a nova era do espírito.