Chegados a este ponto e realizada em grandes linhas a exposição do sistema cosmográfico, podeis ter uma ideia aproximada de sua incomensurável grandiosidade. Por simplicidade e clareza, tive que seguir uma exposição esquelética e esquemática. Observamos o fenômeno reduzido à sua mais simples expressão de desenvolvimento linear; assim mesmo, que complexidade orgânica e de funcionamento, que riqueza de pormenores, que vastidão e profundidade de ritmo, que grandiosidade de conjunto! Acenei a uma síntese de superfície, mas esta é apenas a seção do dilatar-se de uma esfera; os ciclos, para corresponderem mais exatamente à realidade, teriam de ser esféricos, porque a evolução, espacial em γ, dinâmica em β, conceptual em α etc., −mudando de qualidade em cada fase − constitui verdadeira expansão em todas as direções. Vós não possuís sequer as palavras próprias que englobem exatamente todos estes conceitos ao mesmo tempo. Passais dos símbolos e abstrações matemáticas, em que o aspecto mecânico-conceptual do universo está isolado do dinâmico e estático e de outros aspectos que estão além de vossa inteligência, à realidade vestida de miríades de formas, complicada de infinitas minúcias de ações e reações. Imaginai a miríade de seres movidos por incessante dinamismo, que exorbitam do universo de vosso concebível, atentos a esse grande esforço da própria evolução, que consiste em conquista de perfeição, poder, consciência e felicidade sempre maiores; impelidos pela Lei, que é o princípio de seu ser, pelo instinto irresistível, pela aspiração máxima; atraídos pela imensa luz que baixa do Alto, cada vez mais alta à proporção que eles sobem. Imaginai os seres todos escalonados, cada um em seu nível, de ciclo em ciclo, tal como concebeis os anjos organizados nas esferas celestes. Imaginai o canto imenso que, da harmonia desse organismo, na ordem soberana dominante, eleva-se de toda parte e um pouco da grandiosa visão se abrirá diante de vossos olhos.

 

Olhai. Cada fase é um degrau, um átimo no grande caminho. As fases matéria, energia, espírito formam um universo. Outros universos seguem e precedem, organizando-se em sistema maior, o que é o elemento de um sistema ainda mais amplo e complexo, sem jamais haver fim, nem no mais nem no menos. O princípio das unidades coletivas(em seu aspecto estático) e dos múltiplos (em seus aspectos dinâmico e mecânico) é a força de coesão que sustenta a estrutura dos universos. Como a evolução é palingenesia, que leva do simples ao complexo, do indistinto ao distinto, e multiplica os tipos que levaria à pulverização do todo se essa força de coesão não reorganizasse o diferenciado em unidades cada vez maiores. Viveis, vós mesmos, esse princípio quando, ao progredir na especialização do trabalho, sentis a necessidade de reorganizá-lo; quando, paralelamente ao maior desenvolvimento das consciências individuais, vedes nascer consciências coletivas cada vez mais amplas e mais compactas. Assim, todos os seres tendem a reagrupar-se, à proporção que evoluem, em unidades coletivas, em colônias, em sistemas sempre mais abrangentes. Isso vos explica porque a matéria, que consideramos em sua estrutura e em seu devenir, apresenta-se a vós na realidade das formas e não em suas unidades primordiais, mas amalgamada e comprimida em agregados compactos, organizada em unidades coletivas de indivíduos moleculares. É a trajetória da espiral menor que se funde na espiral maior. Da molécula aos universos, a mesma tendência a reorganizar-se num sistema maior, a encontrar um equilíbrio mais completo em organismos mais amplos. Por isso, não encontrais moléculas isoladas, mas cristais, verdadeiros organismos moleculares, e amontoados geológicos; não encontrais células, mas tecidos: órgãos e corpos, que são sociedades de sociedades. Sempre sociedades moleculares, celulares, sociais, com subdivisões de trabalho e especialização de atitudes e de funções.

 

Essa possibilidade de estabelecer contatos e ligações entre os mais distantes fenômenos, que é possível por causa da universal unidade de princípio, permitir-nos-á mais tarde reconstruir uma ciência jurídico-social em bases biológicas. Por isso, também não encontrais planetas isolados, mas sistemas planetários; não estrelas, mas sistemas estelares; não universos, mas sistemas de universos. Em vosso universo, essa força que cimenta e mantém unidos e compactos os organismos, vós a chamais coesão no nível γ, atração no nível β, amorno nível α. Um Princípio Único que se manifesta diferentemente nos diversos níveis e que assume diversas formas, adaptadas à substância em que se revela. Encontrais essa força unificante manifestada na concentricidade de todas as volutas da espiral. Tudo se entrelaça em redor de um centro, o núcleo, o Eu do fenômeno, em cujo derredor gira a órbita de seu crescimento.

 

O princípio das unidades coletivas dispõe as individuações por hierarquia, escalona os seres em diferentes níveis, segundo seu grau de desenvolvimento e suas capacidades intrínsecas. Por isso, o tipo superior domina naturalmente, sem esforço, o inferior, que não tem possibilidade de rebelar-se, porque o mais está totalmente acima de sua compreensão e de sua capacidade de ação. Estabelece-se, desse modo, um equilíbrio espontâneo nos diversos níveis, devido simplesmente ao peso específico de cada individuação. O diagrama das espirais fornece o conceito das hierarquias. Agora, pensai apenas isto: vós não sois somente membros de vossa família, de vossa nação, de vossa humanidade, mas sois cidadãos deste grande universo. São apenas os limites de vossa consciência atual que não permitem que vos “sintais” uma roda da imensa engrenagem, uma célula eterna, indestrutível, que com seu trabalho, concorre para o funcionamento do grande organismo. Esta é a extraordinária realização que vos prepara a evolução às superiores formas de consciência. Quando lá tiverdes chegado, olhareis com pena e desprezo vossas atuais fadigas ferozes.

 

Esta é a visão das esferas celestes, donde promana o hino da vida. É imensa e, no entanto, é simples, em comparação com a visão de seu movimento. Os seres não se detêm nos diversos níveis, mas se movem, num íntimo movimento que os transforma a todos. Em vosso universo físico-dinâmico-psíquico não é apenas a esfera física que é dominada pela energia; esta por sua vez, é dominada pelo espírito, mas, todas juntas constituem todo um incessante movimento de ascensão, das esferas inferiores às superiores. A matéria, o universo estelar, é uma ilha que emergiu do nível das águas do universo inferior. A segunda pulsação produziu uma emersão mais alta, a energia; a terceira, uma emersão utilíssima para vós, o espírito. Desse modo, a substância se muda de forma em forma, as individuações do ser elevam-se de esfera em esfera; aparecem, provenientes do infinito, em vosso universo concebível; desaparecem imersas no infinito. No alto, está a luz, o conhecimento, a liberdade, a justiça, o bem, a felicidade, o paraíso; é a grande luz que se projeta, e acende em vós aquilo que, com um pressentimento, está por cima de vossos ideais e de vossas aspirações já elevadas. Embaixo estão as trevas, a ignorância, a escravidão, a opressão, o mal, a dor, o inferno, vosso passado, que vos enche de terror no presente e este, por sua vez, será amanhã o passado que também vos encherá de terror.

 

A evolução corresponde a um conceito de libertação dos limites que sufocam, dos liames que estrangulam, é um conceito de expansão cada vez mais amplo do nível físico ao dinâmico e ao conceptual. Por isso, é subida, progresso e conquista. Embaixo, nos graus subfísicos, o ser está apertado em limites ainda mais angustiosos do que são o tempo e o espaço que atormentam vossa matéria; no alto, nos graus super psíquicos, não apenas caem as barreiras de espaço e de tempo − tal como já ocorre em vosso pensamento − mas desaparecem também os limites conceptuais, que hoje circunscrevem vossa faculdade intelectiva. O horizonte do concebível será deslocado imensamente, para mais longe, mas ainda constitui um limite para vós e só podeis superá-lo pela evolução. O universo psíquico já é muito mais vasto que os outros dois, o limite tempo-espacial já desapareceu completamente! Vossa mente, é inegável, perde-se em tanta amplidão. Mas deveis compreender, certamente, que o absoluto só pode ser um infinito, porque só um infinito pode conter e esgotar todas as possibilidades do ser. Deveis compreender: se sois cidadãos do universo, não sois o universo; sois órgãos e não o organismo; sois um momento do grande todo e não a medida das coisas. Infelizmente, vosso concebível se restringe aos limites de vossa consciência, que só se comunica com o exterior pelas portas estreitas dos vossos únicos cinco sentidos. O que pode acrescentar a isso a maioria das pessoas? Muito pouco, para conceber o absoluto.

 

O limite sensório é restrito e, diante da realidade das coisas, mantém-vos num estado que poderia chamar-se de contínua alucinação. Essa é a base de vossa pesquisa científica. Suponde em vós outros sentidos diferentes e o mundo mudará. A distância que separa os seres não é distância espacial, é um modo diferente de vibrar, em resposta às vibrações do ambiente. Cada ser é um relativo, fechado num limitado campo conceptual. A série infinita dos seres sentirá o universo de infinitas maneiras, inimagináveis para vós. O relativo vos submerge, a consciência que se apoia na síntese sensória é um horizonte circular fechado. Não há dúvida que para vós é difícil sair de vossa consciência, superando-a, impulsionando-vos até os mais longíquos horizontes, conquistando novos concebíveis. Mas é isto que vos ajudo a fazer, a isso vos leva a evolução. Quem vive satisfeito com a pequena visão que domina, poderá saciar-se durante algum tempo, mas corre o risco de encontrar grandes desilusões, logo que chegue a mudança da morte.

 

É verdade que muitas coisas que vos estou a dizer, não podeis verificar hoje com vossos meios sensórios. Mas a convergência de todos os fenômenos que conheceis para esses conceitos, vos faz confiar que eles correspondem também às realidades que atualmente não podeis controlar. Tudo está aqui contraído num sistema orgânico completo e compacto. Por que o desconhecido deveria mudar de caminho e fazer exceções num organismo tão perfeito? Quando eu tratar das normas de vossa vida, esta massa enorme de pensamento que estou acumulando constituirá um pedestal que não podereis mais derrubar.

 

Dessa forma, a evolução, acossada por baixo pela maturação dos universos inferiores, ávidos de expansão e de progresso e atraídos pela imensa luz que desce do Alto, fecundando e incentivando a subida, avança qual maré imensa que arrasta todas as coisas.

 

A lei que estudamos na trajetória típica dos movimentos fenomênicos é a lei desta evolução; é o canal através do qual se move a grande corrente; é o ritmo que organiza o grande movimento. Os seres não sobem ao acaso.

 

Para atingir α é indispensável atravessar β, e, antes, passar por γ. Ninguém é admitido na fase mais alta a não ser pelo amadurecimento, depois de ter vivido “toda” a fase precedente. Só se pode avançar por degraus sucessivos. Por isto, as formas mais evoluídas compreendem as menos evoluídas, mas não ao contrário. Só depois de haver alcançado a plenitude da perfeição, que advém do fato de ter atravessado todas as possibilidades de uma fase, pode-se passar para a fase sucessiva.

 

Assim avança a grande marcha. A estrada está traçada e não é possível sair dela. A evolução não é um subir confuso, desordenado, caótico, é um movimento perfeitamente disciplinado, sem possibilidade de enganos, nem de imposições. A lei possui um ritmo próprio, absoluto, segundo o qual só se avança por continuidade; é indispensável existir, viver, experimentar, amadurecer, semear e recolher, em estrita concatenação de causas e efeitos. Pode parecer-vos caótico o mundo e os seres misturados e abandonados ao acaso, mas não importa uma aparente confusão espacial, pois cada ser traz em si escrita a lei, inconfundivelmente, na própria natureza. Além disso, o caminho evolutivo não é um caminho espacial. O princípio vale mais que o movimento; é o princípio que lhe traça o caminho. Eis o aspecto conceptual (mecânico) do universo, que colocamos acima de seu aspecto dinâmico, o movimento, e além de seu aspecto estático, o organismo das partes. O organismo, movimento e princípio, vede como se encontra, mesmo na trindade de aspectos de vosso universo, este conceito de progresso; há uma gradação de amplitude e de perfeição nesses aspectos. Só se passa aos superiores depois de completar e amadurecer os inferiores, completando e amadurecendo o próprio princípio. Por meio de uma dilatação progressiva, a expansão evolutiva transforma-se de física em dinâmica e em conceptual. Essa evolução é a íntima respiração em que vibra todo o universo. Os seres existem como individuações; movem-se segundo a evolução, seguindo o princípio que os rege. O princípio contém, em embrião, todas as formas possíveis, é o desenho que inclui todas as linhas do edifício, mesmo antes que surja a primeira pedra para manifestá-lo. A cada momento ocorre a criação, alguma coisa emerge de um nada relativo, surge em realização de algo que estava à espera no germe. Não existe um nada absoluto. O ser toma uma forma nova, vestindo-a como uma roupa, um meio para subir, como um veículo que depois abandonará. O conceito, o tipo já estava fixado, à espera, no princípio que o próprio ser enfeixava em si, e do qual é a manifestação.

 

Assim, as individuações atravessam a série das formas, cujos projetos contém. Cada ser contém em si também aquilo que será a forma que deverá atingir; contém em germe o esquema de todo o universo; não o ocupa, não é o universo inteiro, mas nele se transforma sucessivamente. Por isso, o princípio, mesmo existindo nas formas, é algo acima e independente delas. Na realidade, o tempo infinito permitiu que o ser ocupasse formas infinitas; desse modo, o futuro, tal como o passado, está efetivamente presente no todo. Não o está no relativo, onde a forma é isolada e aguarda novos desenvolvimentos. Mas ocorre o desenvolvimento e os universos futuros que atingireis e atravessareis, são dados, existem, foram vividos, são o passado para outros seres, ou seja, são vistos de um ponto diferente, do qual o todo olha para si mesmo. Essa relatividade de posições, de passado e de futuro, de criação e de nada, desaparece no absoluto e todas as criações existem no infinito e na eternidade. Só o relativo que se transforma, possui tempo, isto é, ritmo evolutivo. A Lei, sem limites, está à espera, no eterno. O tipo preexiste ao ser que o atravessa, as coisas vão e vêm.

 

Aí está a visão bíblica da escada de Jacó. Os seres sobem e descem. Um chega, outro parte, outro se detém. Somente entre graus afins é possível a passagem por continuidade. Existem universos contíguos ao vosso, que o precedem ou o superam; é apenas isso que torna possível a passagem ao longo da cadeia. Contiguidade, mas não em sentido espacial, mas de afinidade, de semelhança de caracteres, de comunhão de qualidades, de trabalho, de possibilidades na jornada evolutiva. Se, do ponto de vista estático, cada universo é um organismo completo em si mesmo, com a evolução, todos os seres se comunicam e se deslocam ao longo dele, de um infinito a outro. Nas fases inferiores à vossa, isto é, γ e β, os seres sobem e descem de acordo com o abrir-se e fechar-se da espiral, ou de acordo com a linha quebrada do diagrama da fig. 2; isso acontece por um princípio de necessidade que não admite escolha. Trata-se de uma maturação fatal, que o ser segue inconscientemente. Mas, em vosso nível α, aparece um “quid” novo, liberta-se um princípio mais amplo que se chama livre-arbítrio: a livre escolha que nasce paralelamente quando surge a consciência. Podeis acompanhar a evolução ou não acompanhá-la, e fazê-la à velocidade que quiserdes. É a liberdade que preludia a fase +x, em que a consciência humana atingirá o novo vértice e conquistará nova visão do absoluto.

 

Desse modo, vosso mundo humano contém α e é atravessa do por seres que sobem e descem; seres que, provindos das formas inferiores de vida, mais próximas de β, avançam custosamente, trabalhando na criação do próprio eu espiritual; ou então, seres que, tendo decaído das formas superiores de consciência, abandonam-se à ruína, abusando do poder conquistado. Uns retrocedem, outros avançam; uns acumulam valores, outros os perdem. Existem ainda os que param, indolentes, preferindo o ócio, ao invés de esforçar-se com fadiga pelo próprio progresso. Daí a grande variedade de tipos e de raças no mundo. Essa é a substância de vossas vidas. Sois sombras que caminham, consciências em construção ou em demolição. Estais todos a caminho, cada um grita diferentemente com voz da própria alma, luta, agita-se, semeia e acolhe.

 

Livremente, com as próprias ações, lança a semente da qual nascerá aquilo que, mais tarde, constituirá seu inexorável destino. Em vosso nível, é livre a escolha dos atos e dos caminhos; é livre a colocação das causas; isso vos é concedido por vossa maturidade de habitantes da fase α. No entanto, não é livre a escolha da série de reações e dos efeitos, pois esta é inexoravelmente imposta pela Lei. Cada escolha vos prende ou liberta. O poder de escolher e de dominar aumenta com a capacidade e com o merecimento, que lhe garantem o bom uso. Dessa forma, o determinismo da matéria gradualmente evolui para o livre-arbítrio da consciência, à proporção que esta se desenvolve. O livre-arbítrio não é um fato constante e absoluto como em vossas filosofias, em insolúvel conflito com o determinismo das leis da vida; mas é um fato progressivo e relativo aos diversos níveis que cada um atingiu. Por isso, apesar de vossa liberdade, o traçado da evolução permanece inviolável. Essa liberdade é, como vós, relativa, e vossas ações só podem afetar o que se refere a vós mesmos.

 

Eis, pois, em grandes linhas, o imenso quadro da criação. Ciclo infinito, de fórmulas abertas e comunicantes, progredindo das unidades mínimas às máximas, mediante uma elaboração que opera, em todas as profundidades do ser, o progresso da espiral maior, que é movido pelo progresso de todas as espirais menores, até o infinito. E, no âmbito de cada ciclo, uma pulsante respiração evolutiva que se inverte e se equilibra num período involutivo, a fim de retomar dessa involução uma respiração mais ampla. Isso se dá desde o infinitamente simples até o infinitamente complexo, e a respiração evolutiva de cada unidade é dada pela respiração evolutiva de todas as unidades menores. O vórtice maior progride por saturação dos vórtices menores que o constituem.

 

Pensai! O progresso de vossa consciência vive pelo concurso e pelo progresso de todos os ciclos menores: eletrônico, atômico, molecular, celular; Antes de ser um vórtice psíquico, é um vórtice de metabolismo orgânico, elétrico, nervoso, cerebral, psíquico e, finalmente, abstrato. Todo o passado está presente, indelevelmente fixado por todos os retornos involutivos. Todo o futuro está presente, porque o presente o contém todo, como causa, como princípio, como desenvolvimento, concentrado em estado latente. Se esta derivação do mais, determinada pelo menos, pode parecer-vos absurda, é apenas porque não podeis sair das fases de vosso universo, que constitui todo o vosso concebível. O mais é apenas a explosão de um mundo fechado em si mesmo, mas que já continha tudo em potencial. Evolução significa expansão de vórtices, que são depósitos de latências, tal como seria um bloco de dinamite. Não se trata de mais ou de menos substância, o absoluto, que não tem medida, não possui quantidade. Trata-se de transformação, de criação no relativo. É a auto-elaboração que traz à luz β de γ e α de β. Nem por isso digais que o espírito é um produto da matéria. Dizei: γ se eleva até α, revelando o princípio que continha latente em sua profundidade.

 

Pensai! A respiração do átomo, dada pela respiração do universo; a respiração do universo, dada pela respiração do átomo; uma criação sem fim, sem limites, em que tempo e espaço são apenas propriedades de uma fase, além da qual desaparecem; onde o relativo limitado, imperfeito, mas em evolução e inexaurível no infinito, forma e iguala o absoluto. Dai a tudo isso uma concentricidade, uma coexistência, que não pode ser expressa pela forma linear da palavra, e tereis uma imagem aproximada do universo em sua complexidade orgânica, em sua potência dinâmica, em sua vastidão conceptual.